domingo, 12 de setembro de 2010

Walk on!

E lá se vão quase três meses desde que disse adeus a tudo e todos que me rodeavam e que agora estão há mais de dez mil quilômetros de distância. Começo a me fazer algumas questões sobre o que tenho aprendido e processado dessa experiência até então.

Saudades? Demais.
Arrependimento? Apenas do que não disse ou não fiz antes de vir para cá.
Feliz? Nem sempre, mas não seria diferente em nenhum lugar do mundo.
Do que sinto mais falta? Família, amigos, um bom churrasco depois de um futebol catimbado.
Do que não sinto falta? Musicas que tocavam o tempo todo e da rotina ociosa que levava.
Valendo a pena? Absolutamente sim.
Contando os dias para voltar? Algumas vezes chego a sonhar com o dia da volta.
O que mais aprendi? Nada que vale a pena se consegue facilmente.
O que não consigo entender? Como algumas pessoas simplesmente não se importam.
Planos num futuro breve? Nada em especial.
Se pudesse voltar atrás? Faria tudo exatamente igual.
O que fazer quando voltar? Não faço a mínima ideia.
Um pensamento para o dia de hoje:

"Quem atinge o seu ideal, ultrapassa-o precisamente por isso."
Friedrich W. Nietzsche







domingo, 22 de agosto de 2010

Mais do mesmo


É incrível como certos pensamentos continuam a ter uma certa relevância mesmo após um tempo. Este pequeno texto que postarei hoje, por exemplo, escrevi há quase 18 meses, mas mesmo assim continua fazendo muito sentido quando o leio e releio. Muitas coisas se passaram desde então, amadurecemos, erramos, aprendemos, caimos, levantamos, seguimos em frente, sempre buscando a razão pela qual estamos vivendo.... pois bem, vamos a ele.

Cá estava eu, analisando a sonoridade de um jazz inebriante de Duke Ellington, e pensando como algo tão simples, ou nem tanto, com uma música de poucos minutos consegue nos despertar sentimentos sobre algo ou alguém tão profundos que normalmente nem cogitaríamos pensar. Uma simples onda sonora faz com que nos tornemos românticos filósofos capaz de conquistar as mais delicadas e cobiçadas donzelas apenas com um simples verso ou poema que apenas surge momentaneamente, justo no instante que estamos tão vidrados naquela simples canção que para muitos outros é apenas mais uma entre outras melodias quaisquer. Essa é a beleza da mente humana, sejam gratos todos que deixam se levar por algo, digamos simples, e não vivem apenas em um mundo cheio de futilidades que corroem nossa mente. O segredo da maioria das questões, sejam elas afetivas ou não, encontra-se em pequenas coisas, que são únicas de cada um e que quando as descobrimos conseguimos transpor barreiras mentais até então intransponíveis.

“Até mesmo a maior de todas as portas, somente é aberta quando temos em mãos a pequena chave. Portanto busque antes de se deparar com a enorme porta, encontrar a chave certa para abrí-la, por menor que esta seja”

Imagem: Koldinghus Castle - Kolding, DK


Mauricio Gehlen

sábado, 21 de agosto de 2010

21 anos sem o Maluco Beleza


Hoje, de forma a contrariar um pouco o real sentido desse blog, mas não sendo menos importante para este que vos escreve, presto por meio deste post uma singela homenagem a uma pessoa que certamente formou ou ajudou a formar a ideologia de milhares de pessoas, dos mais jovens aos mais velhos, neste país.
Há exatos 21 anos, em São Paulo, falecia Raul Santos Seixas, um dos maiores ícones do cenário musical brasileiro, com mais de quarenta álbuns lançados, entre discos de estúdio, discos ao vivo, singles, coletâneas, ep's, ...
Deixo portanto minhas sinceras homenagens e um muito obrigado a todos que possuem um apreço por este que começou sua carreira na década de 60 e que até hoje é simbolo do rock n' roll nacional, ícone de uma revolução, presidente e fundador da nossa sociedade alternativa.

Um grande abraço a todos, e que se ouça a cada canto do Brasil e do mundo, alguém gritando "Toca Raul."



Vídeo: Clip com imagens da música "Amigo Pedro"
Composição: Raul Seixas e Paulo Coelho
Álbum: Há 10 mil anos atrás
Ano: 1976

Raul Santos Seixas - R.I.P.


Mauricio Gehlen

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Comfortably Numb...


Sem mais apresentações, novamente recolho-me em frente ao computador para escrever algumas poucas palavras, talvez de desabafo, exaltação, ou como queiram atribuir aos pequenos textos que venho escrevendo e pretendo continuar a escrever.
Engraçado como nem a tranqüilidade e serenidade de uma suave noite ao som inebriante do violão de Bob Dylan conseguem inspirar ou desenvolver tamanha gana por transcrever para o “papel” pensamentos profundos, e nem ao menos chegar aos ditos pensamentos profundos.
Mais um exemplo da maravilhosa mente humana, que se comporta como algo totalmente alheio a nossa vontade, e por mais que nos dedicamos ou insistamos em algo, se não estamos serenos de corpo e mente, geralmente não conseguimos sairdo "zero".
O segredo está em aproveitarmos o máximo possível o pouco tempo em que estamos em perfeito equilíbrio e harmonia entre corpo e alma para fazer algo que valha a pena, pensar, desenvolver, criar algo nesses momentos que realmente possa ser usado, lido, verificado, compreendido ou não pelas outras pessoas. Compartilhar de algum modo com nossos amigos, familiares, colegas, enfim, algo que estamos nos doando ao máximo para fazer, nem que sejam alguns poucos versos.
Fazer com que essas pessoas percebam que são importantes para nós, que por passar o mínimo tempo possível conosco, nos lembramos delas e queremos demonstrar isso de alguma forma e nada melhor do que usar, digamos que o nosso melhor estado físico-mental para fazê-lo, sem mais preocupações cotidianas, apenas nossos sentimentos para com esses seres que contribuem voluntaria ou involuntariamente para que sempre busquemos dar o nosso melhor.

“Percebemos o verdadeiro valor de uma amizade ou outro sentimento, quando não precisamos nos esforçar ou fingir para demonstrá-lo, trata-se de algo tão especial que se emana naturalmente dos nossos poros, sem que precisamos dizer uma só palavra para mostrar o que sentimos ou pensamos sobre algo ou alguém.”


Mauricio Gehlen

domingo, 15 de agosto de 2010

Think about it...


Saudações novamente.

Como de costume, recolhido no âmago de mais uma noite calma e tranqüila deparo-me com questões sem muitas respostas em minha mente, e coloco-me a escrevê-las para algumas almas perdidas que possam a se interessar. Desta vez, analiso como às vezes nos vemos cegos por algum objetivo, seja ele momentâneo ou em um futuro próximo, que não nos preocupamos com o caminho em si a percorrer.

Partimos em direção à nossa meta com a mente e o corpo voltado apenas no final do curso, e esquecemos-nos de viver juntamente com a trilha até o objetivo, deixando pra trás fases, tempo, oportunidades e pessoas que dificilmente poderemos reviver futuramente. Por isso sonhe, pense e crie um caminho pensando sempre em uma realização futura, mas nunca deixe de viver o presente, curta cada momento, cada pessoa, cada oportunidade de ser feliz e não se atenha a algo que talvez seja incerto, pois quando se der conta pode ser tarde demais.

“A vida é curta demais para pensarmos distante, viva o presente, pois quando envelhecer não terás nem ao menos as memórias dos tempos se foram. Se tiveres arrependimento, que sejas de erros cometidos e nunca de oportunidades não aproveitadas.” (Mauricio Gehlen)

Imagem: Vamdrup, DK

Mauricio Gehlen

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Você tem que ousar...

E depois de mais de um mês....

Dizem que toda grande jornada começa com o primeiro passo, pois bem, não consegui conceber ainda que já se passaram mais de dois meses desde que o fiz. Até então me perguntava se valeria a pena mudar completamente o rumo que minha vida estava tomando até então, e confesso que ainda não estou completamente certo de que tomei a decisão correta.
Sempre me considerei bem maduro até certo ponto, em algumas coisas mais, em outras menos, mas todo o conceito de maturidade que tinha se estendia apenas a mim, aos meus objetivos, anseios, e por que não, a maturidade do meu próprio ego.
Mas com tudo o que tem se passado, comecei a perceber que há bem mais a se amadurecer. A partir do momento em que se é inserido no "real mundo", onde não mais adianta esperar por algo ou alguém para lhe fazer alguma coisa ou lhe amparar em uma tarefa... esse é o tempo em que tudo, exatamente tudo o que você desejar deve vir única e exclusivamente do seu esforço e vontade. Essa é a outra maturidade em que devemos crescer por fim. Todas aquelas frases clichês que você ouve de parentes, amigos e pessoas mais "vividas" que até então eram completamente um pé no saco pra ti, começam a realmente fazer sentido, e quanto mais cedo aceitares essa realidade, tão logo acostumar-se-a com a nova vida e rotina que tens de seguir, temporária ou definitiva.
Lógico que começar uma nova vida ao lado de pessoas que realmente são importantes para nós seria no mínimo maravilhoso, mas muitas vezes temos que passar por difíceis provações para conseguirmos bons resultados, e certamente poder dizer: eu consegui, e sim, valeu a pena.
Por fim, outra vez este sentimento que insiste em aparecer até mesmo nas mais lindas noites e que muitas vezes lhe deixa acordado por toda a madrugada, apenas pensando, refletindo, arrependendo-se do que não fez ou não disse há muitas pessoas antes de partir e que agora apenas ensaia o que certamente não esquecerá quando voltar.

Imagem: Cidade de Kolding - DK
Grande abraço Douglas Dallago, vulgo Gordo. ;D

Mauricio Gehlen

domingo, 11 de julho de 2010

Pub's night.

Definitivamente não parece que se passaram mais de 30 dias desde que cheguei aqui, como comentei em outra oportunidade, é incrível a relatividade do tempo a partir do momento em que começamos a não mais simplesmente existir, mas sim viver cada dia de forma a não nos arrependermos em outrora.

Confesso que esperava um clima mais ameno por aqui - por gostar tanto de frio, e não os infernais 31º C de ontem, embora para se tomar uma cerveja um calor desses é no mínimo convidativo.

E sob o sol das 23:00 hrs resolvemos achar algo pra se fazer no sábado à noite e é incrível como numa cidade de pouco mais de 10 mil habitantes possa se encontrar um pequeno Pub, nem sempre cheio, mas que após adentrá-lo, a última vontade que se tem é de ir embora. Enfim, um digno programa para uma "noite" de sábado em um lugar que seria ao menos interessante encontrar numa cidade brasileira - um lugar simples, com poucas luzes, apenas algumas velas pelas mesas e uma antiga lareira ao centro... de fundo um bom e velho rock n' roll vindo de uma jukebox, algumas bebidas, amigos e horas de boas conversas.


Mauricio Gehlen


quinta-feira, 8 de julho de 2010

Payada, Memória e Tempo


Hoje, após um bom tempo pude novamente tomar um chimarrão, o que me deixou de certa forma mais perto de casa e um tanto quanto mais feliz.

E falando em chimarrão, 08 de julho lembra-se o falecimento do grande poeta e payador Jayme Caetano Braun falecido em 1999.
Como grande admirador do grande gaúcho, presto aqui a minha homenagem com um pequeno verso da poesia "No adeus a Jayme" de Odilon Ramos:

Pois neste oito de julho,
até o sol se encobriu,
o dia ficou mais frio,
sem brilho, luz nem calor.
Corre um soluço de dor
nas Missões, Serra e Fronteira;
chora a querência inteira,
a morte do pajador.

E uma pequena poesia de sua vasta obra:

domingo, 4 de julho de 2010

Walkin' trough this new time.

Como de costume, venho até aqui para escrever algumas coisas sobre o que venho passando, não sendo diferente desta vez.
Uma semana corriqueira, cansativa por um lado, mas que bom que já tenha passado e finalmente chega o fim de semana para um descanso.
Nunca tinha dado tanta importância à relatividade do tempo como agora, logo que cheguei aqui os dias pareciam demorar décadas para passar, a cabeça em curto-circuito com tantos pensamentos e preocupações, mas agora não, parece que finalmente tudo está em ordem e posso dizer que estou completamente adaptado ao novo ambiente, o que muda novamente a relatividade dos dias que tenho passado. Não consigo acreditar que já faz quase um mês que me despedi do Brasil pra vir pra cá, tanta coisa aconteceu nesse curto intervalo de tempo que fica difícil não esperar um bom futuro aqui. Fiquei triste por muitas preocupações, mas realmente feliz por sair de uma tediosa rotina e por que não de um completo e infernal ócio, para mudar completamente minha vida. Estou torcendo e fazendo o máximo possível para que tudo dê certo desta vez.

Pois bem, à todas as pessoas que de algum maneira vem acompanhando as poucas palavras que raramente escrevo, um obrigado sincero. Um ótimo início de semana e um grande abraço.

E para dar uma variada, uma pequena coisa capaz de mudar a vida de qualquer um, como mudou a minha: o Blues. Abaixo o que considero um dos melhores blues nacionais.

Celso Blues Boy - Mississipi

domingo, 27 de junho de 2010

Sunday Morning

E depois de começar o fim de semana de forma no mínimo cativante em uma praia, nada como aquele churrasco bem brasileiro para completá-lo. Quem diria que um simples pedaço de carne, assada sobre brasas, exalando tão extasiante aroma podia mudar mais uma vez o comportamento e os ânimos de uma pessoa. Enfim, o meu primeiro domingo brasileiro na Dinamarca, sem uma boa caipirinha, mas não sei se a trocaria por uma Carlsberg bem gelada.

São dias como esse que me dividem... me deixam extremamente feliz por um lado, por estar levando a vida em frente, enfrentando o conhecido e o desconhecido, passando por nem sempre boas provações, mas das quais sei que sairei vitorioso, com uma grande bagagem profissional e pessoal após tudo isso. Mas por outro lado fico triste pois são nesses momentos que mais gostaria de estar próximo das pessoas que me foram importantes, e certamente sempre serão.

Mauricio Gehlen





sábado, 26 de junho de 2010

Sunny Afternoon

Não poderia imaginar um início de fim de semana melhor que este depois de dias e dias bem down. Pois bem, aproveitando as quase 20 horas de claridade diárias, fomos até a casa de praia da família, cerca de 40 minutos de Vamdrup.

Um lugar lindo, diferente, mas lindo... lógico que a água não estava convidativa à um banho mas não deixa-se uma oportunidade como essa passar, em vista de que serão lembrados com saudade dias como esse quando o inverno chegar.



Mas o que considerei realmente valioso do dia passado, foi que pela primeira vez desde que cheguei aqui, que me senti novamente em uma família, num verdadeiro momento "família", guardadas as devidas proporções.


Não havia preocupações, obrigações nem nada que me atesse à pensamentos tristes, apenas um dia inteiro, conversando, tomando umas boas cervejas e churrasqueando, ao modo dinamarquês é claro.


Enfim, um dia a ser lembrado e certamente repetido.



Mauricio Gehlen

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Another red letter day

Os dias se passaram, coisas aconteceram... De fato algumas más notícias como se era de esperar, mas são dos momentos de dificuldade que consegue-se tirar as maiores lições, e acreditem, estou aprendendo as minhas. Afinal, nunca me disseram que seria fácil, e está longe de ser, apenas sei que valerá a pena.

Deixando a melancolia de lado por algum tempo, e adaptando-me quase que inteiramente à vida no velho mundo, é impossível não citar o quão bonito e cinematográfico é este lugar, falando da Europa como um todo... não me admira que muitos dos melhores poetas e escritores desfrutaram de paisagens tão ímpares como estas. Tudo está em harmonia, até a mais simples combinação de uma tulipa vermelha solitária em meio à arbustos, frente à uma construção quase que inteiramente medieval, faz que até mesmo o mais distraído dos homens pare para observar e por que não, contemplar algo tão surreal.

Por fim, mas não menos importante, acho fundamental comentar sobre a triste e crescente falta que algumas pessoas me fazem e certamente farão por muito tempo até que possa reencontrá-las.


E por fim minha nova casa. (:












sexta-feira, 11 de junho de 2010

Home sweet new home!




Após cerca de 19 horas de viagem entre avião e trem, finalmente chego ao meu destino: Vamdrup, ao sul da Dinamarca.
Na estação de trem fui recebido pelo Mr Niels, dono da fazenda onde ficarei por um bom tempo, senhor muito educado e paciente, já teve outros estagiários antes e sabe como lidar com essa situação.
A fazenda é ótima, tirando a chuva que não cessa , clima extremamente adorável, pessoas um tanto quanto "frias", mas nada além do normal, espero aproveitar essa estadia aqui.

No caminho até o meu destino passei por uma das mais incríveis cidades que já conheci: Copenhagen ou Kobenhavn para os dinamarqueses.

E já que estou num lugar onde existem ótimas cervejarias, não pude deixar de provar algumas delas, entre elas a Carlsberg, e também alguns chopps pelos Pub's dinamarquinos.

O lugar é ótimo, a princípio as pessoas também. Em poucos dias já me acostumo ao fuso-horário [5 horas a mais que o Brasil no momento] e com o cotidiano daqui, só espero conseguir conviver com a falta de algumas pessoas.

Mauricio Gehlen

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Welcome!

Venho me ensaiando para criar este blog há tempos, desde que tive a feliz [ou nem tanto] ideia de fazer um intercâmbio, mas parecia que esse dia nunca chegaria...

Pois bem, esse dia chegou e cá me encontro para saudar-lhes com a primera postagem.

Criei este blog para me manter de uma certa forma mais perto do Brasil, escrevendo um pouco sobre o que estarei a fazer, postando algumas fotos, vídeos, curiosidades e inutilidades do país que escolhi como nova casa, Dinamarca, mais precisamente na cidade de Randers.

Voltando um pouco no tempo, quando decidi fazer esse intercâmbio não esperava a hora para que tudo estivesse pronto e eu embarcando, mas quando subitamente tive que me despedir de tudo e todos que conhecia uma grande parte não queria se quer mexer-se do lugar. Dificuldades serão muitas, mas nenhuma maior do que conviver com a saudade de pessoas tão especiais que demorarei algum tempo para revê-las.

Mauricio Gehlen